1 de abril de 2014

Resenha: Ghost Rider: A Estrada da Cura - Neil Peart @belasletras

Informações do livro:
Título: Ghost Rider – A estrada da cura
Título original: Ghost Rider: Travels on the Healing Road
Autor: Neil Peart
Editora: Belas Letras
Páginas: 520


Sinopse: Após a morte da única filha, Selena, e da esposa, Jackie, o músico Neil Peart se transformou em um fantasma – um homem sem motivação, esperança ou fé. Sozinho em casa, convivendo com as lembranças, ele decide pegar a estrada com sua moto, uma BMW R1100GS, para rodar por 90 mil quilômetros, sem destino, em busca de um motivo para preencher o vazio que sente. Esta é a história real de um homem que partiu carregando a morte e o luto, mas transformou sua jornada em uma poderosa narrativa sobre a solidão, o amor e, acima de tudo, a paixão pela vida, mesmo quando tudo ao nosso redor nos leva a desistir dela.




Resenha: A estrada da cura” de Neil Peart (compositor e baterista de Rush, grupo de Rock canadense) é uma obra real a respeito de sentimentos conflituosos e cheios de reflexão. Neil é uma pessoa corajosa e exibe seus pensamentos e opiniões sem medo da exposição demasiada.

Para quem já sabe como funciona o sentimento da perda, vai se identificar com cada trecho. Viver num ambiente cercado por lembranças de momentos com alguém especial que já partiu não é algo fácil. Na verdade, é uma das piores sensações, por isso surge a necessidade de manter distância, de fugir da realidade e das dores.

Sua filha Selena, com apenas 19 anos, sofrera um acidente de carro e essa foi a primeira tragédia ocorrida. Após a morte da filha, a esposa dele ficou num estado deplorável. E a segunda tragédia aconteceu justamente com Jackie, onde foi diagnosticada com câncer em fase terminal. Ações foram tomadas para que se sentisse melhor, porém ela aceitou seu destino com certa gratidão, já que não encontrava motivos para viver mais.

Neil se sentia pressionado e não tinha um plano específico. Só sabia que precisava partir, independente dos problemas e perigos que, ocasionalmente, pudessem surgir pelo caminho tumultuado. Ao mesmo tempo em que é triste e perigoso, parece tão emocionante sair por ai sem rumo, apenas para se distrair da vida. Sei que não há explicações para os momentos de luto e por isso que este livro se torna tão especial: por sua sutileza, conexão e poder.

Sua moto, de modelo BMW R1100GS, estava preparada para uma viagem duradora. Ele levava uma bolsa esportiva, uma barraca, um saco de dormir, kit de ferramentas, entre outros itens básicos caso surgisse algum imprevisto. E desde o começo manteve consigo um diário de suas viagens, retratando os diferentes estágios da jornada.

Inteligente e ousado, Neil percebia os acontecimentos como se fossem uma pista para o que devesse fazer. Visualizou cenas emocionantes, conheceu lugares e pessoas distintas, assim como aprendeu muito com os detalhes absorvidos.

Me perdi em pensamentos nos momentos deprimidas da narrativa, como se já imaginasse como as coisas iriam acabar. Parece algo previsível, só que não é nem um pouco, e Neil demonstra isso com clareza. Apesar de se sentir arrasado, viu uma oportunidade para não desistir. Chorei bastante, ansiei por suas passagens de conhecimento e me diverti com sua recém ajuda adquirida – ajuda esta, que ele mesmo proporcionou a si mesmo. Essa é a maior concretização da obra: entender os motivos, a complexidade das escolhas e a conclusão da realidade inovadora.



“Para essa despedida importante, esperava um prognóstico melhor do que uma manhã fria, escura e chuvosa, mas com certa empatia, pois apresentava uma sincronia com meu clima interior. Mas pouco importava o tempo lá fora: de qualquer maneira, eu estava de partida. Ainda não sabia para onde (Alasca? México? Patagônia?) nem por quanto tempo (dois meses? quatro meses? um ano?), mas eu sabia que tinha de partir. Minha vida dependia disso.” Pg.12


Classificação SEL: 4/5

2 comentários:

  1. parece ser uma história ótima. gosto desses livros com histórias mais tristes e fortes.
    fiquei curiosa, quero ler! *-*

    ResponderExcluir
  2. Quem conhece Neil Peart sabe das qualidades dele como musico , e letrista. Um musico, tido como um dos melhores do mundo, passa por toda essa provação, e ainda consegue dar a volta por cima, seguir em frente, tomar a frente da sua vida e ainda voltar a ser o melhor do mundo. Certamente um livro maravilhoso, onde poderemos aprender muito com ele.

    Francisco Prado

    ResponderExcluir

Muito obrigada por visitar o blog. Espero que tenha gostado e volte sempre! Fê ♥

© Fernanda Prates - 2017 | Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento por: Jaque Design
imagem-logo