12 de janeiro de 2018

Resenha: Lembra aquela vez - Adam Silvera, Rocco Jovens Leitores

Informações do livro:
Título: Lembra aquela vez
Título original: More Happy Than Not
Autor: Adam Silvera
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 281



Sinopse: Por que a felicidade tem que ser tão difícil? Aaron Soto, um jovem de 16 anos, está crescendo no Bronx dos dias atuais, em Nova York, poucos meses depois de tentar o suicídio e de encontrar seu pai morto com a própria navalha de barbear. Enquanto sua mãe confere folhetos do Leteo, um novo e polêmico instituto que realiza cirurgias para apagar memórias dolorosas, Aaron se reaproxima de sua devotada namorada, Genevieve, que o apoiou nos momentos difíceis, e da galera do seu bairro, que não teve a mesma atitude. Então, Aaron conhece Thomas, um garoto do conjunto habitacional vizinho. Os dois se tornam grandes amigos imediatamente, e Aaron se vê compartilhando coisas jamais por ele compartilhadas, nem com Genevieve. Logo fica claro para todos ao seu redor que Aaron está se apaixonando por Thomas, o que é um problema – a relação com Gen, desta vez, é séria – e perigoso: Não é nada fácil ser gay quando você é pobre e mora no Bronx. De repente, quando os antigos amigos de Aaron o agridem para ensinar uma lição (para o seu próprio bem, é claro), ele bate com a cabeça e algo estala... e novas memórias começam a emergir. Parece que Aaron já foi submetido ao procedimento do Leteo. Mas para esquecer o quê?


Resenha: "Lembra aquela vez", de Adam Silvera, me envolveu logo nas primeiras páginas, e acredito que isso acontece justamente por conta da narrativa ser direta e por expor suas críticas de modo a fazer com que o leitor questione as atitudes impostas. Na verdade, questionamentos é o que não faltam, e para isso esse é o ponto alto do livro.

Aaron Soto é o personagem central dessa ambientação e eu não poderia ter gostado mais de suas características. Tudo é muito complicado, o que fica claro logo na sinopse desse livro, mas há muito mais a ser explorado ao longo das cenas. Alguns sentimentos são bem compreensíveis, enquanto outros nem tanto, o que torna tudo ainda mais complexo e digno de reflexões.

O garoto passa por complicações, ainda mais em relação ao suicídio de seu pai, e de sua própria tentativa. Só quem passa por algo semelhante consegue entender a profundidade de tal ato, não é mesmo?! Mas a narrativa amplia bem as estruturas dos sentimentos e nos deixa tão abalados quanto o próprio Aaron em suas dúvidas mais intimas.

É uma história que envolve superação, ou a busca dela. E o desfecho me deixou, acima de tudo, apreensiva. Pode ter sido intencional também, justamente para que o leitor imagine o que pode ocorrer na sequência, ou o que faríamos em situações semelhantes. Depois de algum tempo que finalizei a leitura, ainda continuo pensando em tudo que aconteceu e acho impossível não se emocionar (ou chorar, como aconteceu comigo!).

Fiquei completamente apaixonada pela capa desse livro, antes mesmo de ler qualquer coisa a respeito. A edição merece todos os créditos possíveis, mas me surpreendi muito mais com o desenvolvimento da obra e fico feliz de ter tido a oportundade de fazer tal leitura. Tudo é muito marcante nesse decorrer, e só não comento mais por medo de "falar demais" mesmo. Vale a pena ser surpreendido por conta própria!


Lembra aquela vez, de Adam Silvera, é um livro forte de ler e eu fiquei muito surpresa por conta disso. Não sabia muito o que esperar, mas a leitura se mostrou muito interessante e rápida também. Sem contar que, antes de iniciar, eu já havia ficado encantada pelo trabalho da Editora Rocco. E claro, a capa também é um dos destaques iniciais, com tons fortes (num estilo aquarela) e centrados na obra em si.

É um livro com a temática LGBT, e eu já li outros nesse estilo. Mas não li outro que seja tão intenso quanto esse, isso eu tenho certeza absoluta. Eu fico arrepiada só em pensar nas abordagens, isso porque há passagens sobre suicídio e depressão também. Essas duas palavras ja carregam um peso enorme, mas devo acrescentar que há mais, muito mais nesse trajeto. De fato, chega a ser triste em vários aspectos e é de se pensar muito, muito mesmo.

Aos poucos é possível perceber que existe uma identificação enorme sobre Aaron perante nossa própria sociedade, seja por conta de pensamentos ou atitudes. Isso se dá até pelas ações mais extremistas, estas que refletem bem as questões que o livro quer abordar. Não é difícil se ater a isso, e o bom é que a narrativa consegue explorar muito bem as mensagens nas entrelinhas, mais um ponto muito positivo.

Outra questão que me marca nesse enredo é a forma como as conexões são expostas. Eu não sabia muito como ordenar meus próprios pensamentos e fiquei até um pouco aflita diante de certas sequências e revelações. É um tanto arrasador em algumas partes, se é que posso chamar de tal maneira, mas foi mais ou menos assim que eu sentia.

Eu gostei mesmo dessa leitura, tanto que me arrependo porque demorei para pegar o livro nas mãos para ler. Confesso que no começo, a leitura ficou meio arrastada, mas durou pouco tempo. Acredito os leitores devem dar uma chance para essa história porque ela inova mesmo, por mais que nas primeiras páginas, não pareça que vai ser tão surpreendente. Mas é, e também sabe bem como mexer com tanto sentimentos ao mesmo tempo. Recomendo muito!



Classificação SEL: 4/5


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